domingo, 25 de julho de 2010

CARAVANA DA VERDADE





CARAVANA DA VERDADE






Diante da multidão que ocupava o Ponto de Cem Réis, no Centro de João Pessoa, Cássio Cunha Lima defendeu o direto democrático do voto e acusou Zé Maranhão de tentar se reeleger no tapetão.

Cássio disse ainda que a eleição de Ricardo Coutinho será um divisor de águas. Um salto para construção de uma Paraíba melhor. Veja abaixo o vídeo do discurso.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

José Serra

José Serra

sexta-feira, 23 de abril de 2010



ENCONTRO DAS OPOSIÇÕES





II ENCONTRO DAS OPSIÇÕES

II Encontro das Oposições levou apoio a Ricardo Coutinho para Governo do Estado
Publicado em 17/04/2010, às 18h24




Parque de Exposição Ivandro Cunha Lima estava lotado no Encontro das Oposições
Lideranças políticas de toda a Paraíba, integrantes de movimentos sociais e a população de Campina Grande e de municípios do compartimento de Borborema ignoraram a chuva que atinge a região e lotam o Parque de Exposições Ivandro Cunha Lima, na tarde deste sábado (17), no II Encontro das Oposições. Cerca de 5 mil pessoas estão presentes ao local, de acordo com a estimativa da organização do evento.

O presidente estadual do PSB e pré- candidato ao Governo do Estado, Ricardo Coutinho, chegou ao evento acompanhado do pré-candidato ao Senado Cássio Cunha Lima (PSDB) e do senador Efraim Morais (DEM).

Ricardo expressou a sua alegria em reunir tantas pessoas com um objetivo comum, que é elaborar um projeto de desenvolvimento para a Paraíba. "Este encontro é uma resposta de que a Paraíba quer avançar e quer que o desenvolvimento chegue a todos os 223 municípios deste Estado. Pessoas vieram de longe para compartilhar conosco desse momento e essa é a maior prova que a mudança é desejada e necessária", afirmou.

O encontro conta com a participação de 11 partidos políticos, 68 prefeitos, 455 vereadores, deputados estaduais e federais.
Redação iParaiba com Ascom

Tags: lideranças políticas, movimentos sociais, população, encontro das oposições, parque ivandro cunha lima,

domingo, 11 de abril de 2010

DISCURSO DE JOSÉ SERRA - LANÇAMENTO DA CANDIDATURA - 2010


Enviado por Ricardo Noblat - 10.4.2010| 13h58m
Discurso de lançamento da pré-candidatura de José Serra
Venho hoje, aqui, falar do meu amor pelo Brasil; falar da minha vida; falar da minha experiência; falar da minha fé; falar das minhas esperanças no Brasil. E mostrar minha disposição de assumir esta caminhada. Uma caminhada que vai ser longa e difícil mas que com a ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro será com certeza vitoriosa.

Alguns dias atrás, terminei meu discurso de despedida do Governo de São Paulo afirmando minha convicção de que o Brasil pode mais. Quatro palavras, em meio a muitas outras. Mas que ganharam destaque porque traduzem de maneira simples e direta o sentimento de milhões de brasileiros: o de que o Brasil, de fato, pode mais. E é isto que está em jogo nesta hora crucial!

Nos últimos 25 anos, o povo brasileiro alcançou muitas conquistas: retomamos a Democracia, arrancamos nas ruas o direito de votar para presidente, vivemos hoje num país sem censura e com uma imprensa livre. Somos um Estado de Direito Democrático. Fizemos uma nova Constituição, escrita por representantes do povo. Com o Plano Real, o Brasil transformou sua economia a favor do povo, controlou a inflação, melhorou a renda e a vida dos mais pobres, inaugurou uma nova Era no Brasil. Também conquistamos a responsabilidade fiscal dos governos. Criamos uma agricultura mais forte, uma indústria eficiente e um sistema financeiro sólido. Fizemos o Sistema Único de Saúde, conseguimos colocar as crianças na escola, diminuímos a miséria, ampliamos o consumo e o crédito, principalmente para os brasileiros mais pobres. Tudo isso em 25 anos. Não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País. Nós podemos nos orgulhar disso.

Mas, se avançamos, também devemos admitir que ainda falta muito por fazer. E se considerarmos os avanços em outros países e o potencial do Brasil, uma conclusão é inevitável: o Brasil pode ser muito mais do que é hoje.

Mas para isso temos de enfrentar os problemas nacionais e resolvê-los, sem ceder à demagogia, às bravatas ou à politicagem. E esse é um bom momento para reafirmarmos nossos valores. Começando pelo apreço à Democracia Representativa, que foi fundamental para chegarmos aonde chegamos. Devemos respeitá-la, defendê-la, fortalecê-la. Jamais afrontá-la.

Democracia e Estado de Direito são valores universais, permanentes, insubstituíveis e inegociáveis. Mas não são únicos. Honestidade, verdade, caráter, honra, coragem, coerência, brio profissional, perseverança são essenciais ao exercício da política e do Poder. É nisso que eu acredito e é assim que eu ajo e continuarei agindo. Este é o momento de falar claro, para que ninguém se engane sobre as minhas crenças e valores. É com base neles que também reafirmo: o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais.

Governos, como as pessoas, têm que ter alma. E a alma que inspira nossas ações é a vontade de melhorar a vida das pessoas que dependem do estudo e do trabalho, da Saúde e da Segurança. Amparar os que estão desamparados.

Sabem quantas pessoas com alguma deficiência física existem no Brasil? Mais de 20 milhões – a esmagadora maioria sem o conforto da acessibilidade aos equipamentos públicos e a um tratamento de reabilitação. Os governos, como as pessoas, têm que ser solidários com todos e principalmente com aqueles que são mais vulneráveis.

Quem governa, deve acreditar no planejamento de suas ações. Cultivar a austeridade fiscal, que significa fazer melhor e mais com os mesmos recursos. Fazer mais do que repetir promessas. O governo deve ouvir a voz dos trabalhadores e dos desamparados, das mulheres e das famílias, dos servidores públicos e dos profissionais de todas as áreas, dos jovens e dos idosos, dos pequenos e dos grandes empresários, do mercado financeiro, mas também do mercado dos que produzem alimentos, matérias-primas, produtos industriais e serviços essenciais, que são o fundamento do nosso desenvolvimento, a máquina de gerar empregos, consumo e riqueza.

O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.

Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural, a indústria contra os serviços, o comércio contra a agricultura, azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes. Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.

Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo. O Brasil tem grandes carências. Não pode perder energia com disputas entre brasileiros. Nunca será um país desenvolvido se não promover um equilíbrio maior entre suas regiões. Entre a nossa Amazônia, o Centro Oeste e o Sudeste. Entre o Sul e o Nordeste. Por isso, conclamo: Vamos juntos. O Brasil pode mais. O desenvolvimento é uma escolha. E faremos essa escolha. Estamos preparados para isso.

Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem comum.

Na Constituinte fiz a emenda que permitiu criar o FAT, financiar e fortalecer o BNDES e tirar do papel o seguro-desemprego – que hoje beneficia 10 milhões de trabalhadores. Todos os partidos e blocos a apoiaram. No ministério da Saúde do governo Fernando Henrique tomei a iniciativa de enviar ou refazer e impulsionar seis projetos de lei e uma emenda constitucional – a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Agência Nacional de Saúde, a implantação dos genéricos, a proibição do fumo nos aviões e da propaganda de cigarros, a regulamentação dos planos de saúde, o combate à falsificação de remédios e a PEC 29, que vinculou recursos à Saúde nas três esferas da Federação - todos, sem exceção, aprovados pelos parlamentares do governo e da oposição. É assim que eu trabalho: somando e unindo, visando ao bem comum. Os membros do Congresso que estão me ouvindo, podem testemunhar: suas emendas ao orçamento da Saúde eram acolhidas pela qualidade, nunca devido à sua filiação partidária.

Se o povo assim decidir, vamos governar com todas e com todos, sem discriminar ninguém. Juntar pessoas em vez de separá-las; convidá-las ao diálogo, em vez de segregá-las; explicar os nossos propósitos, em vez de hostilizá-las. Vamos valorizar o talento, a honestidade e o patriotismo em vez de indagar a filiação partidária.

Minha história de vida e minhas convicções pessoais sempre estiveram comprometidas com a unidade do país e com a unidade do seu povo. Sou filho de imigrantes, morei e cresci num bairro de trabalhadores que vinham de todas as partes, da Europa, do Nordeste, do Sul. Todos em busca de oportunidade e de esperança.

A liderança no movimento estudantil me fez conhecer e conviver com todo o Brasil logo ao final da minha adolescência. Aliás, na época, aprendi mesmo a fazer política no Rio, em Minas, na Bahia e em Pernambuco, aos 21 anos de idade. O longo exílio me levou sempre a enxergar e refletir sobre o nosso país como um todo.

Minha história pessoal está diretamente vinculada à valorização do trabalho, à valorização do esforço, à valorização da dedicação. Lembro-me do meu pai, um modesto comerciante de frutas no mercado municipal: doze horas de jornada de trabalho nos dias úteis, dez horas no sábado, cinco horas aos domingos. Só não trabalhava no dia 1 de janeiro. Férias? Um luxo, pois deixava de ganhar o dinheiro da nossa subsistência. Um homem austero, severo, digno. Seu exemplo me marcou na vida e na compreensão do que significa o amor familiar de um trabalhador: ele carregava caixas de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixas de livros.

E eu me esforço para tornar digno o trabalho de todo homem e mulher, do ser humano como ele foi. Porque vejo a imagem de meu pai em cada trabalhador. Eu a vi outro dia, na inauguração do Rodoanel, quando um dos operários fez questão de me mostrar com orgulho seu nome no mural que eu mandei fazer para exibir a identidade de todos os trabalhadores que fizeram aquela obra espetacular. Por que o mural? Por justo reconhecimento e porque eu sabia que despertaria neles o orgulho de quem sabe exercer a profissão. Um momento de revelação a si mesmos de que eles são os verdadeiros construtores nesta nação.

Eu vejo em cada criança na escola o menino que eu fui, cheio de esperanças, com o peito cheio de crença no futuro. Quando prefeito e quando governador, passei anos indo às escolas para dar aula (de verdade) à criançada da quarta série. Ia reencontrar-me comigo mesmo. Porque tudo o que eu sou aprendi em duas escolas: a escola pública e a escola da vida pública. Aliás, e isto é um perigo dizer, com freqüência uso senhas de computador baseadas no nome de minhas professoras no curso primário. E toda vez que escrevo lembro da sua fisionomia, da sua voz, do seu esforço, e até das broncas, de um puxão de orelhas, quando eu fazia alguma bagunça.

Mas é por isso tudo que sempre lutei e luto tanto pela educação dos milhões de filhos do Brasil. No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político. E estou convencido de uma coisa: bons prédios, serviços adequados de merenda, transporte escolar, atividades esportivas e culturais, tudo é muito importante e deve ser aperfeiçoado. Mas a condição fundamental é a melhora do aprendizado na sala de aula, propósito bem declarado pelo governo, mas que praticamente não saiu do papel. Serão necessários mais recursos. Mas pensemos no custo para o Brasil de não ter essa nova Educação em que o filho do pobre freqüente uma escola tão boa quanto a do filho do rico. Esse é um compromisso.

É preciso prestar atenção num retrocesso grave dos últimos anos: a estagnação da escolaridade entre os adolescentes. Para essa faixa de idade, embora não exclusivamente para ela, vamos turbinar o ensino técnico e profissional, aquele que vira emprego. Emprego para a juventude, que é castigada pela falta de oportunidades de subir na vida. E vamos fazer de forma descentralizada, em parcerias com estados e municípios, o que garante uma vinculação entre as escolas técnicas e os mercados locais, onde os empregos são gerados. Ensino de qualidade e de custos moderados, que nos permitirá multiplicar por dois ou três o número de alunos no país inteiro, num período de governo. Sim, meus amigos e amigas, o Brasil pode mais.

Podemos e devemos fazer mais pela saúde do nosso povo. O SUS foi um filho da Constituinte que nós consolidamos no governo passado, fortalecendo a integração entre União, Estados e Municípios; carreando mais recursos para o setor; reduzindo custos de medicamentos; enfrentando com sucesso a barreira das patentes, no Brasil e na Organização Mundial do Comércio; ampliando o sistema de atenção básica e o Programa Saúde da Família em todo o Brasil; prestigiando o setor filantrópico sério, com quem fizemos grandes parcerias, dos hospitais até a prevenção e promoção da Saúde, como a Pastoral da Criança; fazendo a melhor campanha contra a AIDS do mundo em desenvolvimento; organizando os mutirões; fazendo mais vacinações; ampliando a assistência às pessoas com deficiência; cerceando o abuso do incentivo ao cigarro e ao tabaco em geral. E muitas outras coisas mais. De fato, e mais pelo que aconteceu na primeira metade do governo, a Saúde estagnou ou avançou pouco. Mas a Saúde pode avançar muito mais. E nós sabemos como fazer isso acontecer.

Saúde é vida, Segurança também. Por isso, o governo federal deve assumir mais responsabilidades face à gravidade da situação. E não tirar o corpo fora porque a Constituição atribui aos governos estaduais a competência principal nessa área. Tenho visto gente criticar o Estado Mínimo, o Estado Omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública. As bases do crime organizado estão no contrabando de armas e de drogas, cujo combate efetivo cabe às autoridades federais . Ou o governo federal assume de vez, na prática, a coordenação efetiva dos esforços nacionalmente, ou o Brasil não tem como ganhar a guerra contra o crime e proteger nossa juventude.

Qual pai ou mãe de família não se sente ameaçado pela violência, pelo tráfico e pela difusão do uso das drogas? As drogas são hoje uma praga nacional. E aqui também o Governo tem de investir em clínicas e programas de recuperação para quem precisa e não pode ser tolerante com traficantes da morte. Mais ainda se o narcotráfico se esconde atrás da ideologia ou da política. Os jovens são as grandes vítimas. Por isso mesmo, ações preventivas, educativas, repressivas e de assistência precisam ser combinadas com a expansão da qualificação profissional e a oferta de empregos.

Uma coisa que precisa acabar é a falsa oposição entre construir escolas e construir presídios. Muitas vezes, essa é a conversa de quem não faz nem uma coisa nem outra. É verdade que nossos jovens necessitam de boas escolas e de bons empregos, mas se o indivíduo comete um crime ele deve ser punido. Existem propostas de impor penas mais duras aos criminosos. Não sou contra, mas talvez mais importante do que isso seja a garantia da punição. O problema principal no Brasil não são as penas supostamente leves. É a quase certeza da impunidade. Um país só tem mais chance de conseguir a paz quando existe a garantia de que a atitude criminosa não vai ficar sem castigo.

Eu quero que meus netos cresçam num país em que as leis sejam aplicadas para todos. Se o trabalhador precisa cumprir a lei, o prefeito, o governador e o presidente da República também tem essa obrigação. Em nosso país, nenhum brasileiro vai estar acima da lei, por mais poderoso que seja. Na Segurança e na Justiça, o Brasil também pode mais.

Lembro que os investimentos governamentais no Brasil, como proporção do PIB, ainda são dos mais baixos do mundo em desenvolvimento. Isso compromete ou encarece a produção, as exportações e o comércio. Há uma quase unanimidade a respeito das carências da infra-estrutura brasileira: no geral, as estradas não estão boas, faltam armazéns, os aeroportos vivem à beira do caos, os portos, por onde passam nossas exportações e importações, há muito deixaram de atender as necessidades. Tem gente que vê essas carências apenas como um desconforto, um incômodo. Mas essa é uma visão errada. O PIB brasileiro poderia crescer bem mais se a infra-estrutura fosse adequada, se funcionasse de acordo com o tamanho do nosso país, da população e da economia.

Um exemplo simples: hoje, custa mais caro transportar uma tonelada de soja do Mato Grosso ao porto de Paranaguá do que levar a mesma soja do porto brasileiro até a China. Um absurdo. A conseqüência é menos dinheiro no bolso do produtor, menos investimento e menos riqueza no interior do Brasil. E sobretudo menos empregos.

Temos inflação baixa, mais crédito e reservas elevadas, o que é bom, mas para que o crescimento seja sustentado nos próximos anos não podemos ter uma combinação perversa de falta de infra-estrutura, inadequações da política macroeconômica, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos. Aliás, o valor de nossas exportações cresceu muito nesta década, devido à melhora dos preços e da demanda por nossas matérias primas. Mas vai ter de crescer mais. Temos de romper pontos de estrangulamento e atuar de forma mais agressiva na conquista de mercados. Vejam que dado impressionante: nos últimos anos, mais de 100 acordos de livre comércio foram assinados em todo o mundo. São um instrumento poderoso de abertura de mercados. Pois o Brasil, junto com o MERCOSUL, assinou apenas um novo acordo (com Israel), que ainda não entrou em vigência!

Da mesma forma, precisamos tratar com mais seriedade a preservação do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável. Repito aqui o que venho dizendo há anos: é possível, sim, fazer o país crescer e defender nosso meio ambiente, preservar as florestas, a qualidade do ar a contenção das emissões de gás carbônico. É dever urgente dar a todos os brasileiros saneamento básico, que também é meio ambiente. Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo. São essenciais. São Saúde. São cidadania. A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns, uma possibilidade promissora para o Brasil. Temos muito por fazer e muito o que progredir, e vamos fazê-lo.

Também não são incompatíveis a proteção do meio ambiente e o dinamismo extraordinário de nossa agricultura, que tem sido a galinha de ovos de ouro do desenvolvimento do país, produzindo as alimentos para nosso povo, salvando nossas contas externas, contribuindo para segurar a inflação e ainda gerar energia! Estou convencido disso e vamos provar o acerto dessa convicção na prática de governo. Sabem por quê? Porque sabemos como fazer e porque o Brasil pode mais!

O Brasil está cada vez maior e mais forte. É uma voz ouvida com respeito e atenção. Vamos usar essa força para defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos, sem vacilações. Eu fui perseguido em dois golpes de estado, tive dois exílios simultâneos, do Brasil e do Chile. Sou sobrevivente do Estádio Nacional de Santiago, onde muitos morreram. Por algum motivo, Deus permitiu que eu saísse de lá com vida. Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.

Nossa presença no mundo exige que não descuidemos de nossas Forças Armadas e da defesa de nossas fronteiras. O mundo contemporâneo é desafiador. A existência de Forças Armadas treinadas, disciplinadas, respeitadoras da Constituição e das leis foi uma conquista da Nova República. Precisamos mantê-las bem equipadas, para que cumpram suas funções, na dissuasão de ameaças sem ter de recorrer diretamente ao uso da força e na contribuição ao desenvolvimento tecnológico do país.

Como falei no início, esta será uma caminhada longa e difícil. Mas manteremos nosso comportamento a favor do Brasil. Às provocações, vamos responder com serenidade; às falanges do ódio que insistem em dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.

O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma “boquinha”; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.

Este é o povo que devemos mobilizar para a nossa luta; este é o povo que devemos convocar para a nossa caminhada; este é o povo que quer, porque assim deve ser, conservar as suas conquistas, mas que anseia mais. Porque o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais. E, por isso, tem de estar unido. O Brasil é um só.

Pretendo apresentar ao Brasil minha história e minhas idéias. Minha biografia. Minhas crenças e meus valores. Meu entusiasmo e minha confiança. Minha experiência e minha vontade.

Vou lhes contar uma coisa. Desde cedo, quando entrei na vida pública, descobri qual era a motivação maior, a mola propulsora da atividade política. Para mim, a motivação é o prazer. A vida pública não é sacrifício, como tantos a pintam, mas sim um trabalho prazeroso. Só que não é o mero prazer do desfrute. É o prazer da frutificação. Não é um sonho de consumo. É um sonho de produção e de criação. Aprendi desde cedo que servir é bom, nos faz felizes, porque nos dá o sentido maior de nossas existências, porque nos traz uma sensação de bem estar muito mais profunda do que quaisquer confortos ou vantagens propiciados pelas posições de Poder. Aprendi que nada se compara à sensação de construir algo de bom e duradouro para a sociedade em que vivemos, de descobrir soluções para os problemas reais das pessoas, de fazer acontecer.

O grande escritor mineiro Guimarães Rosa, escreveu: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Concordo. É da coragem que a vida quer que nós precisamos agora.

Coragem para fazer um projeto de País, com sonhos, convicções e com o apoio da maioria.

Juntos, vamos construir o Brasil que queremos, mais justo e mais generoso. Eleição é uma escolha sobre o futuro. Olhando pra frente, sem picuinhas, sem mesquinharias, eu me coloco diante do Brasil, hoje, com minha biografia, minha história política e com . esperança no nosso futuro. E determinado a fazer a minha parte para construir um Brasil melhor. Quero ser o presidente da união. Vamos juntos, brasileiros e brasileiras, porque o Brasil pode mais.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

O ANALFABETO POLÍTICO







O Analfabeto Político
Bertolt Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

SAÕ JOÃO - CARUARU




Festa
Dilma prestigia abertura do São João de Caruaru
Publicado em 28.05.2009, às 14h59
Do JC Online
A convite do prefeito de Caruaru, José Queiroz, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rosseff, e o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, estarão presentes na abertura do São João de Caruaru, neste sábado, 30.

Os representantes do PT e comitiva vão conhecer as peculiaridades da tradição junina do local, resgatada em um novo projeto de São João idealizado pela Fundação de Cultura da cidade e pela Aliança Comunicação.

Além dos ministros, outras personalidades políticas, como o governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, o vice-governador, João Lyra Neto, o secretário de Turismo do Estado, Sílvio Costa Filho, além de jornalistas de várias regiões do País, devem estar presentes neste início de evento.

sábado, 20 de setembro de 2008

HILÁRIO HORÁRIO ELEITORAL- REVISTA ÉPOCA

HUMOR

Hilário eleitoral gratuito

Como guia para o eleitor, a propaganda política é um fiasco. Como programa humorístico, tem lá seu valor. Melhor que votar neles é rir deles

Nelito Fernandes
Com Reportagem de Ronald Freitas e Wálter Nunes


VALE TUDO
NA TV Maurício do Avestruz aparece no vídeo montado na ave.

Ei, ei, Eymael, você achava que a figura mais engraçada desse horário eleitoral gratuito seria o Enéas sem barba? Como diria o candidato mato-grossense a deputado estadual Tenente Lara, no hilário eleitoral a onça bebe água, o couro come e a coruja canta. O Casseta & Planeta que se cuide, porque o programa político está de matar de rir. Matar em sentido figurado, claro. Mas, se o eleitor tiver realmente um infarto, pode contar com o velório a R$ 1, proposta de Diano, candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro pelo Partido dos Aposentados da Nação. O velório é a esperança de quem passou mal porque comeu no restaurante de R$ 1 e comprou na farmácia de R$ 1 um remédio que não funcionou. Depois de ver programas como esse, o eleitor vai se perguntar, usando o slogan do candidato a senador pelo obscuro Partido Humanista da Solidariedade (PHS) em São Paulo: "Doutor Cury, o Brasil tem Cura?".

Que miasma pútrido, hein?, diria Enéas, do Movimento dos Sem Barba, para em seguida completar que "o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia!". Enéas, desculpe a intromissão e perdoe a nossa ignomínia por ter de consultar o Aurélio para saber o que é miasma, mas aí vai um toque: ignomínia tem acento. Na legenda que acompanha seus pronunciamentos, a palavra está grafada erradamente. Deu zebra, não é deputado? Zebra? O digníssimo eleitor se cansou de votar em candidato que parecia preparado, mas depois de eleito se mostrou uma verdadeira zebra? Então vote no Zebra de uma vez! Zebra é o nome do candidato ao Senado pelo Partido Social Cristão em Mato Grosso, que aparece numa vendinha mexendo num saco de farinha e avisando: "Todos são farinha do mesmo saco. A turma do Ali Babá estão (sic) unidos!".

Para não derrapar no português, o Zebra e o Enéas deveriam seguir o conselho de Walter Regenor, candidato a deputado estadual pelo mesmo PSC em Mato Grosso: "Leitura é luz", diz. Ele aparece segurando um livro na mão. Depois, diz que, com o livro, ensinou o eleitor a gostar de poesia; e, com o voto do telespectador, vai ensiná-lo a valorizar o Brasil.


Zé Muniz se veste de árabe e se diz o Bin Laden brasileiro.

Renovar é a palavra de ordem nas campanhas. Políticos estreantes exaltam a própria virgindade eleitoral. No Rio de Janeiro, a petista Fátima Guedes, homônima da cantora e letrista, caprichou na rima: "treze seiscentos e seis pela primeira vez". Urgh! Uns começam agora, outros não desistem. Em Alagoas, Zé Muniz, candidato a deputado federal pelo PMDB, lembra que está disputando pela 11a vez e que nunca foi eleito. Para sensibilizar a audiência, ele aparece vestido de Bin Laden. Zé justifica a indumentária: "Vocês mereciam que o Bin Laden explodisse uma bomba e acabasse com os políticos. Mas ele ia precisar de muita bomba". Bomba mesmo é o vídeo de Cururu, candidato a deputado federal em Pelotas, no Rio Grande do Sul. A peça, um hit na internet, mostra o candidato carregando uma bolsa cheia de dinheiro onde se lê "mensalão", enquanto conversa com a mulher, desdentada.




O eleitor que acha que político é tudo farinha do mesmo saco tem a chance de votar em um deputado antes que ele vire farinha. Lúcio Mandioca, candidato em Mato Grosso do Sul, mostra um mandiocão em pleno horário eleitoral, para depois bradar seu slogan: "Mandioca neles!". Pelas barbas do profeta! E não falta nem mesmo ele. Natanael, o profeta, de barba branca e com jeitão de Nostradamus, pede voto pelo PT no Rio de Janeiro. O fim está próximo.

E, se na política tudo tem acabado em pizza, é melhor pedir uma saladinha de frutas, que cai mais leve. A opção nesse caso é o Gordo Salada. Vendedor de iguaria na Praia de Boa Viagem, no Recife, Manuel de Almeida Filho pede votos vestindo o sombreiro coberto de frutas de plástico com que circula s pelas areias. O figurino já lhe rendeu comparações com a cantora Carmen Miranda. "Se eu aparecer de terno, ninguém vai me reconhecer", diz.

Xeque Humberto, candidato a governador do Rio Grande do Norte, promete leite encanado. Isso mesmo: o cidadão abre a torneira e sai leite. Sargento do Exército, Humberto Maurício da Silva quer tirar o ganha-pão da vaca com esse inacreditável avanço nos programas assistencialistas de distribuição de comida. Xeque é mesmo um sujeito para lá de Bagdá. Ele anda sempre com uma roupa de árabe, acompanhado por outro candidato que já deu o que falar: Miguel Mossoró, que prometia construir uma ponte sobre o Oceano Atlântico, ligando a capital potiguar à ilha de Fernando de Noronha, quando tentou ser prefeito. Mossoró está de volta ao rádio e à TV, desta vez como candidato a deputado estadual. Mas já não repete a promessa.


Clodovil promete que "Brasília nunca mais será a mesma"

O eleitor não é avestruz e não engole qualquer coisa, mas é obrigado a engolir a figura bizarra de Maurício Carlos Lupifieri montado na ave. O candidato a deputado federal por São Paulo é um dos principais criadores de avestruz do país, e se diz um pioneiro na introdução do simpático bicho no mundo do showbiz. "Eu inventei a corrida de avestruz. Já apareci no Programa do Gugu, no Superpop, no Pânico e em praticamente todos os jornais", afirma orgulhoso. Maurício Avestruz, como é conhecido, diz que queria mesmo correr com seu avestruz em cena - mas, como o tempo é curto, não consegue.

É de deixar o cabelo em pé, mas em matéria de cabelo ninguém vence Zói Bad Boy, candidato a deputado federal por Minas Gerais. Ele aparece de costas, com o apelido Zói Bad Boy e o número 4006 na cabeça raspada. "Abre os zói, BH e Minas", diz. E, por falar em "zói", Paulinho Vesgo, homossexual assumido, tem um olho no voto dos gays e outro no trocadilho. Ele faz graça com seu slogan: "Deu e dará muito pelo Brasil". Quem também está atrás do voto gay é a transformista paraibana Salete Campari, que tenta uma vaga pelo PDT na Assembléia Legislativa paulista. Seu bordão é "Faça diferente sem preconceito". O nome de batismo é Francisco Sales Rodrigues. "Salete é porque fiz uma brincadeira com meu sobrenome, Sales, e o Campari é em homenagem a minha cunhada, que adorava a bebida", diz.






Cururu exibe a mala do mensalão e diz para a mulher que está indo para Brasília

Quem teve seus 15 minutos de fama também tenta uma vaguinha. A pernambucana Ruth Lemos ficou famosa na internet com um vídeo onde propagava o bordão "Sanduíche-íche-íche". Agora, ela quer descolar uma boquinha com o mote da alimentação. A figura do empresário Sebastião Buani não é em si engraçada. Num horário eleitoral tão cheio de figurinos, digamos, criativos, ele aparece envergando roupas tradicionais. É inevitável rir, no entanto, quando ele fala de sua promessa de campanha. Candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, Buani, que confessou ter pago propinas ao ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, promete combater a corrupção.

Na categoria dos realmente (!) famosos, os destaques são o cantor Frank Aguiar, o autodenominado cãozinho dos teclados, e Clodovil. O ex-estilista comemorou no horário eleitoral o fato de estar de volta à TV (ele está sem programa). Clodovil diz que sua candidatura nasceu depois de um pesadelo. No sonho ele corria sobre escombros de uma cidade com uma coisa em cada mão ("não vou falar o quê"), encontrava pessoas que já morreram e, no final, era convidado por um prefeito a ser deputado federal. Frank, com 5 milhões de discos vendidos, agora tenta ser eleito deputado federal por São Paulo. O intérprete da sideral "Moranguinho do Nordeste", que narrava a saga de um óvni, aparece latindo no programa e reclama que não pode cantar na TV. "A lei eleitoral não deixa." Ainda bem.


O transformista Salete Campari quer defender os gays na Assembléia Gordo Salada , vendedor de salada de frutas na praia no Recife, usa o chapéu à Carmen Miranda, para ser reconhecido pelos eleitores.

Xeque Humberto quer ser governador do Rio Grande do Norte e diz que vai instituir o leite encanado, além de levar o trem-bala para o sertão potiguar Zói Bad Boy, animador de festas em Belo Horizonte, aparece no vídeo de costas para mostrar o número esculpido no cabelo










Fotos: Reprodução e divulgação

sexta-feira, 2 de maio de 2008

ESTUDO DA POLÍTICA BRASILEIRA

Em 1995, a RSP publicou o Dossiê Burguesia e Política. Na oportunidade, ouvimos um comentário informal, mas incisivo, dizendo que se tratava de duas coisas que não mais existiam. O que haveria de agudo no comentário é que as formas concretas que "burguesia" e "política" haviam assumido, em especial no Brasil, não permitiriam mais análises sociológicas contundentes, a não ser que se remetessem ao passado. O dossiê "Empresariado, política e economia", que agora apresentamos, não pretende refutar a idéia de que ambos os fenômenos passaram por profundas alterações nas sociedades contemporâneas, mas exatamente indicar, a partir do conteúdo dos textos que o compõem, que não apenas estamos diante de coisas que existem, mas que merecem cada vez mais a atenção dos cientistas sociais e daqueles que pensam a realidade brasileira e seu futuro. Quando recorremos aos textos que compõem este dossiê, observamos que nomes já consolidados na análise sobre os processos que marcam a nossa história estão ao lado de jovens pesquisadores, articulando importantes questões de natureza teórica e, ao mesmo tempo, se reportando a processos conjunturais candentes. Enfim, trata-se de tema muito vivo, na análise sociológica e na política brasileira de nossos dias.

No âmbito teórico, são trabalhados temas que remetem à relação entre burocracia, política e democracia, às classes e frações de classe dominantes, à ação coletiva de classe, ao papel do Estado na economia, à questão da representação política e às relações entre Estado e Sociedade nas democracias, que é, de resto, a mesma agenda de pesquisa que supostamente teria desaparecido.

No que tange ao contexto político brasileiro, entre as questões presentes estão o governo Lula, o papel dos agentes burocráticos e dos grupos sociais na definição da política econômica e das instituições democráticas, a situação do país na política e no mercado internacional e as implicações da relação entre empresariado e política na atual conjuntura. Certamente, há diversos outros trabalhos, autores e temas que poderiam constar deste dossiê e esperamos que ele sirva também como um convite ao debate, neste ou em outro espaço editorial.

Seguindo a linha editorial da RSP, os artigos que compõem este dossiê têm em comum, na sua diversidade, a contribuição para que este assunto permaneça vivo na agenda da pesquisa sociológica e nos principais espaços e eventos acadêmicos e, também, para a reflexão sobre o processo político contemporâneo no Brasil, indicando a importância da mobilização de variáveis societais na análise da política, para além das variáveis estritamente institucionais. Os trabalhos aqui apresentados valem também para que se considere que a consolidação desta agenda exige a realização de novas pesquisas — por exemplo, faltam ainda estudos sociológicos sobre a ação das empreiteiras, das empresas de comunicação, das empresas de transporte etc. —, a continuidade da preocupação com as questões candentes do momento atual de nossa história, mas, sobretudo, o tratamento em profundidade dos problemas teóricos subjacentes, de forma articulada às grandes questões fundamentais do pensamento sociológico.

Apenas para aguçar o interesse do leitor, em relação ao conteúdo dos textos que compõem este dossiê, podemos dizer o seguinte: Luiz Carlos Bresser-Pereira analisa o papel da "burocracia pública", enquanto parte da "classe dirigente", indicando a presença importante da burguesia industrial nos acordos que sustentaram o desenvolvimento econômico industrializante, a volta do prestígio da burocracia pública como agente fundamental do processo político, o fracasso da "ortodoxia convencional", a presença dos empresários industriais na construção um "novo desenvolvimentismo" e o avanço de uma forma mais participativa de democracia. Ary Minella analisa o sistema financeiro de uma perspectiva sociopolítica, voltada para a organização e a atuação corporativa das entidades de representação deste setor na América Latina. Utilizando a análise de redes sociais, Minella conclui que grande parte da estrutura de representação do empresariado financeiro encontra-se "transnacionalizada". Armando Boito se propõe a recuperar uma tradição da Sociologia e da Ciência Política no Brasil no estudo dos interesses das frações da burguesia brasileira, defendendo que a ocorrência de uma nova onda de internacionalização do capitalismo dependente no país não impediu que um setor da grande burguesia consolidasse sua posição no bloco no poder ao longo da década de 2000. Wagner Iglécias se destaca por tratar de setor da agricultura, ainda pouco estudado, em especial nas suas formas modernas, o agronegócio, e suas implicações nos processos que marcam o capitalismo no Brasil de nossos dias, o qual, em articulação com as ações do Governo, estão relacionadas à expansão da participação do comércio mundial e a redefinição das formas de regulação. Paulo Roberto Neves Costa apresenta os resultados de pesquisa que procurou aferir as percepções e avaliações dos presidentes de algumas entidades de representação do empresariado brasileiro acerca da democracia e das instituições democráticas, e da reforma política, propondo a busca de ganhos analíticos a partir da consideração da relação entre empresariado e as instituições do regime democrático. Álvaro Bianchi cumpre um importante papel ao debater sobre a questão teórica da ação coletiva do empresariado, o que é fundamental tanto para o aprofundamento das pesquisas empíricas sobre o empresariado, quanto para o diálogo acima mencionado com as grandes questões da análise sociológica. Por fim, o artigo de Wagner Mancuso foi deliberadamente colocado como encerramento do dossiê por três motivos: faz um balanço crítico da literatura sobre a questão do empresariado enquanto ator político e da sua força nos processos de definição dos rumos da economia, propõe novas frentes para a pesquisa sobre o assunto, enfatizando a importância deste campo de estudo e da continuidade de seu desenvolvimento e, responde de outra forma à provocação citada no início desta apresentação, em relação ao tema tratado aqui: "nosso campo de estudos possui uma história respeitável, e hoje continua bem vivo, em expansão!".

POLÍTICA PARTIDÁRIA - ÉTICA NA POLÍTICA

A ética na (e da) política:

Existe alguma diferença entre a esquerda e a direita?

Resumo:

Reflexões sobre a questão da ética na política e as possíveis distinções ideológicas entre a esquerda e a direita no trato da coisa pública. A lógica do poder não parece fazer muitas distinções entre esquerda e direita no que ser refere a questões morais como o uso da máquina pública e a falta de transparência no controle dos partidos políticos.

Palavras-chave: Política. Poder. Partidos políticos. Ética. Esquerda. Direita.

Retrato de Maquiavel (detalhe), por Santi di Tito (séc. XVI)1. Pequena introdução à teoria das perplexidades

Confesso, cabalmente, minha perplexidade: sempre pensei que, a despeito de todos os problemas atinentes à formulação e execução de políticas públicas, em especial aqueles problemas vinculados à definição e execução de políticas econômicas – terreno no qual a chamada esquerda sempre demonstrou dificuldades de toda ordem, para não dizer, de pronto, uma singular incompetência administrativa e operacional –, haveria quase que uma “natural diferença” de comportamentos e de posturas quando o tema em pauta fosse a ética na (e da) política. Estávamos todos naturalmente propensos a acreditar que, não obstante os esperados “contorsionismos verbais” e outros exemplos de pequenos “desvios de conduta”, no que se refere às contingências práticas da luta política, existiria uma grande e fundamental divisão de caráter entre modos de se fazer política (com “p” maiúsculo): de um lado, a desfaçatez atávica e a falta de princípios por parte da direita, de outro, a “inclinação tendencial”, se me permitem esta expressão, da esquerda em direção de normas éticas ou morais na forma de se conduzir em política (bem sei que ética e moral não são a mesma coisa, mas deixemos essas sutis diferenças de lado, por enquanto).

Será que vou ter de confessar que fui ingênuo e cândido em relação a essas coisas? Serei obrigado a reconhecer que, nessas coisas de se “fazer política”, as diferenças entre a esquerda e a direita não são exatamente aquelas que suspeitávamos, ou que o quê as aproxima, nessas matérias, é muito mais consistente do que aquilo que supostamente as separa? Terei de penitenciar-me por ter, durante muito tempo, acreditado numa espécie de “superioridade moral” da esquerda nessas lides políticas de disputa pelo poder, de luta pela conquista e manutenção dos “postos de comando” do Estado? Vou mesmo ter de, modestamente, fazer a “viagem de Canossa” de meu “aprendizado moral” nas artes e ofícios do grande comércio da política? Posto em termos diretos e mais simples: ainda se pode acreditar na existência de diferenças reais de comportamento, de postura prática, de atitudes mentais no grande jogo da política entre, de um lado, a direita e, de outro, a esquerda? Existe, de fato, alguma distinção normativa, alguma oposição fundamental, alguma separação moral ou bifurcação ética entre a esquerda e a direita em matéria ou em artes de política? Grandes questões as que aqui se colocam…

2. A prática da política: uma caixa de surpresas

Não sei se conseguirei traduzir a minha perplexidade em termos racionais, de modo a poder oferecer uma discussão minimamente organizada em torno dessas “grandes questões”, questões que sempre me ocuparam ao longo de uma vida dedicada, não exatamente à política, mas mais propriamente à observação da política, tal como praticada por homens concretos e partidos reais – nada de absolutamente idealizado ou imaginado –, questões de cunho ético ou moral e que voltaram à minha mente entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais de 2004. Não devo ter sido o único a interrogar-se, de maneira sincera, sobre o sentido – se é que havia algum – de certos atos, palavras, alianças e iniciativas tomadas pelos principais caciques da política brasileira. Por certo que havia um “sentido”, sempre há: é o da necessidade de agrupar forças, de constituir aliados, de se preparar para os grandes embates eleitorais à frente, de maneira a poder conquistar o grande prêmio, o excepcional botim, a única recompensa que verdadeiramente conta nesse jogo de soma zero que se chama política partidária: a conquista ou a manutenção do poder nas sociedades organizadas em regimes políticos que tomam por base o sistema partidário como sustentáculo da ação especificamente política.

Este é o sentido das muitas ações, frases, iniciativas ou alianças que chegam a nos surpreender e que são justificadas, quando não “legitimadas”, por esses caciques que nos governam. Por certo que esse tipo de problema não se “resolve” num embate entre esquerda e direita, tanto porque a riqueza e a diversidade do comércio político não se deixam reduzir a essas dimensões dicotômicas, ideológicas poderíamos dizer, do jogo político-partidário. Sem olvidar, portanto, a clássica divisão entre esquerda e direita no espectro político de uma sociedade aberta – isto é, democrática –, gostaria de tratar neste texto de algumas questões atinentes ao modo ético de ver a política, ou à maneira moral de se interpretar a conduta política. Eu farei, em primeiro lugar, algumas considerações de ordem geral sobre problemas éticos ou morais suscitados por certas palavras ou ações de atores políticos concretos, ainda presentes em minha memória, para examinar, depois, questões atinentes às responsabilidades internas e externas, em matéria de ética ou de moral, dos partidos políticos no jogo político corrente. Minhas perplexidades naquilo que chamei de aparente diluição das fronteiras entre esquerda e direita nas artes da política serão retomadas ao longo do texto.

3. Pequenas frases, grandes efeitos: a (i)moralidade da política

Comecemos pelas palavras, e aqui retomo uma das mais famosas frases do nosso folclore político. Como todos sabem, frases verdadeiramente sinceras não costumam freqüentar o palavreado dos políticos, acostumados que estão a um vocabulário que pratica o dom da ambigüidade. Quando o fazem, recebem imediato destaque mediático, correndo o risco de ver decretada sua inscrição compulsória numa lista de “frases do ano”, como ocorreu com o apotegma falsamente franciscano do “é dando que se recebe”. Essa frase verdadeiramente exemplar foi introduzida ao distinto público por um (hoje falecido) deputado do então chamado “Centrão”, durante a Constituinte de 1988, o que garantiu ao seu autor uma imediata, mas algo duvidosa, notoriedade pública. O autor se foi, mas a frase aparentemente ficou conosco, não apenas como exercício vocabular, mas como prática política flagrantemente atual. Alguém duvida disso?

Estarei sendo excessivamente moralista se resolver implicar com esse tipo de colocação “sincera”, que para mim representa todo o fim da moral e da ética no jogo da política? Seria um exercício de ingenuidade imaginar que as “coisas” não precisariam chegar a esse ponto, no qual detentores do poder (e dispensadores de favores) e demandantes de benesses “públicas” se acertam no altar da política – geralmente o parlamento – para maior benefício próprio e duvidoso benefício social?

Mas não são apenas as frases que marcam a atividade política e sua ambígua relação com a moral, ou com a ética pública. Também são os atos que revelam um pouco do comportamento dessa curiosa categoria de praticantes da política que nos representa no Congresso nacional e que por vezes exerce cargos ministeriais. Tome-se, por exemplo, o caso de ministros que viajaram com recursos públicos, mas que ainda assim receberam diárias oficiais “em excesso”, digamos assim, ou aqueles que o fizeram por motivos particulares, mas encontraram uma maneira de travestir seus negócios privados como se fossem de interesse público, para assim poderem usufruir das mesmas vantagens pecuniárias, o que pode beirar o, quando não incorre no, ilícito funcional.

Essas frases e atos têm a virtude de colocar em termos claros uma questão que há muito freqüenta a atualidade brasileira: a desonestidade da política, ou melhor, a desonestidade dos políticos. Simples questão de justiça ou problema de moralidade pública? Nessas matérias, como as exemplificadas acima, a diferença entre a esquerda e a direita fez, de fato, alguma diferença? Ocorreu, nesse particular, uma dramática inversão de comportamentos depois da vitória da esquerda no último embate presidencial?

4. A (falta de) ética na política não tem fronteiras geográficas

A chamada questão moral, ou seja, o problema da desonestidade política, apresenta uma seqüência conhecida dos especialistas, como dos simples observadores políticos: ela vem a tona por ocasião de algum escândalo momentaneamente original — e portanto de repercussão mais dramática nos meios de comunicação —, mas este sempre é recuperado logo adiante ou acaba “normalizado” pela inexistência prática (ou fabricada) de responsáveis diretamente incrimináveis, para cair finalmente no esquecimento de uma imprensa eternamente à cata de “escândalos frescos”. Aqueles que ameaçam com “cadeia” estão justamente caindo na “normalidade” do vocabulário político, oferecendo em frases ocas remédios que sabem ser inexeqüíveis, pelo menos neste Brasil tão complacente com políticos de honestidade duvidosa. Mais uma vez, caberia a pergunta: houve alguma mudança dramática a partir da substituição do que se considerava direita pela esquerda na condução geral dos negócios do Estado?

O problema, podemos dizer, não é apenas brasileiro, pois a classe política de respeitáveis países considerados “desenvolvidos” também já esteve envolvida em negócios e operações de moralidade algo dúbia, quando não claramente ilegais. A diferença, retorquirá o pessimista tupiniquim, é que aqui as saúvas não são incomodadas por nenhum tipo de judiciário ou procurador público, como em terras de puritanos auto-penitentes. De acordo, concede o racionalista, mas vejamos, por exemplo, os casos da Itália e do Japão: há exemplos de democracias avançadas que tenham grande parte de seus políticos em tamanho descrédito como esses dois países, situados nas antípodas da cultura política contemporânea? Os Estados Unidos não têm, por sua vez, uma classe política mais virtuosa do que suas congêneres dos países citados, mas ostenta, provavelmente, uma das imprensas mais combativas do planeta, além de uma justiça pouco complacente com os “desviantes”.

Em todos esses países a chamada “questão moral” costuma freqüentar o universo do jornalismo político e chega mesmo a ingressar nas salas dos tribunais. O problema da desonestidade política é praticamente universal, ainda que ele encontre arranjos nacionais absolutamente específicos do ponto de vista da ética pública. O tratamento dessa questão, digamos desde já, não pode ser equacionado com a introdução de simples reformas institucionais, mas parece exigir uma espécie de redirecionamento cultural e ético da classe política, algo como uma “reforma moral” que diminua o abismo aberto na base da sociedade política entre a “ética dos resultados” e a “ética dos valores”. Cabe o registro, em todo caso, de que a tradicional divisão entre esquerda e direita não parece ter nenhuma influência na distribuição entre grupos e indivíduos “éticos” ou “desviantes”.

5. A ética de princípios e a ética de responsabilidades: uma revisão prática

A divisão entre princípios e resultados, ou entre ética coletiva e ética individual, sempre existiu, desde os tempos de Hamurabi pelo menos, tendo sido dissecada teoricamente pelo florentino Maquiavel. No dizer de um italiano contemporâneo, o filósofo (e também político) Norberto Bobbio, tal divisão é inevitável e constitui mesmo uma tensão estrutural da política. Grande parte da corrupção disseminada que afeta a vida pública e mesmo a sociedade brasileira como um todo decorre dessa divisão e, mais especificamente, deriva da dicotomia existente entre o poder e a responsabilidade dos partidos políticos. Eles podem deter o poder, mas raramente assumem todas as responsabilidades que dai decorrem.

Se a “desonestidade” tem suas raízes na irresponsabilidade moral e política dos partidos, uma ação corretiva deveria preocupar-se sobretudo com a reconstituição dos limites e os termos dessa responsabilidade. Podemos apresentar duas ordens de problemas, uma de caráter institucional (responsabilidade externa), caracterizada pela introdução de novas normas de ação partidária, e outra de natureza propriamente moral (responsabilidade interna), chamando à responsabilidade e obrigando pessoalmente os responsáveis partidários. Em cada uma delas, veremos se a dicotomia entre esquerda e direita tem alguma razão de ser.

O estabelecimento de novas regras políticas e institucionais, no primeiro conjunto de questões, deveria incidir, preferencialmente, sobre quatro problemas cruciais: o loteamento da máquina pública, a alternância no poder, o controle “social” sobre os partidos e a “educação política” dos partidos e de seus quadros.

5.1. O assalto dos partidos ao poder: um resquício do Estado prebendalista

O primeiro consistiria em reduzir a “invasão” dos partidos sobre as agências do Estado, fenômeno típico das realidades brasileira e italiana, nesta chamada de “lotizazzione”, onde existiam, por exemplo, “zonas de administração cativa”, diretamente controladas pelas lideranças partidárias. A solução desse tipo de problema não requer, necessariamente, uma “privatização” (ao estilo reaganiano ou tatcherista) das instituições públicas desses subsistemas — que podem envolver saúde, transportes, educação, canais de televisão pública etc. —, mas pode passar pelo estabelecimento de um sistema gerencial de gestão, talvez de forma descentralizada, bem como por um controle público desses setores por parte do Parlamento e dos órgãos de fiscalização. Esse tipo de “aparelhamento do Estado” não parece ter uma coloração ideológica muito bem demarcada, mas depende mais propriamente do grau de “profissionalização” do aparelho partidário.

5.2. A alternância como regra essencial da democracia: sem tremeliques

A essa “despartidarização” das atividades públicas segue-se um segundo problema, ligado à possibilidade de alternância na vida política. A rigidez aparente do jogo político no Japão, durante largo período no pós-guerra, com a ausência de fato de mudança nas elites políticas, significou a inexistência de qualquer mudança ao nível das forças políticas que desempenhavam o papel de liderança política e de governo, ao longo de praticamente quatro décadas, o que pode ter contribuído para o aumento da corrupção da classe política, o que ocorreu igualmente com a democracia-cristã no caso da Itália.

No sistema político brasileiro, ocorreu, de fato, durante muitas décadas de vida republicana, uma aparente instabilidade política mas uma notável estabilidade na classe política, gerando uma situação de “imunidade prática do poder”, geralmente ocupado pela direita. A eleição, em 2002, de um presidente de “esquerda” e a chegada de um “partido de oposição” ao poder, poderiam conformar, ao contrário do que as aparências indicariam, uma possibilidade de democratização e de renovação da vida política, à condição, obviamente, de que os novos ocupantes do poder não venham a reproduzir os mesmos velhos vícios do sistema político brasileiro da era das oligarquias e das “máquinas partidárias”, com lideranças que apenas lutavam para se substituir na zona central do poder, sem pretender de fato tornar o sistema mais transparente ou mais responsável.

O que ocorre, atualmente, é uma certa institucionalização do sistema político-partidário, mas tendo como centro dois partidos reformistas e razoavelmente democráticos para os conhecidos padrões brasileiros de oligarquização da vida política. Que um seja de “centro-direita” e o outro de “centro-esquerda” pode representar, talvez, o início da superação da dicotomia entre esquerda e direita no Brasil.

5.3. Os partidos: são incontroláveis e não precisam prestar contas?

O terceiro problema se refere ao controle dos partidos políticos. Os partidos, como os sindicatos — pelo menos no Brasil e na Itália — detêm um poder sobre o qual não prestam contas, senão (teoricamente) a um numero reduzido de afiliados. Se os partidos e sindicatos pretendem tornar-se instituições verdadeiramente públicas, como deveria ser o caso, seria justo que eles se submetessem a escrutínios públicos periódicos, tanto sobre o seu modo de funcionamento, como sobre a legitimidade de seus estatutos e sobre a conformidade de seus atos com esses estatutos. A exigência de “transparência”, invocada para a administração executiva, deveria ser também levantada no caso dos partidos políticos e dos sindicatos. Estes últimos, no caso do Brasil, manipulam um certo volume de recursos públicos e não se tem notícia de que a contabilidade e a administração desses recursos tenham sido objeto de demonstrações transparentes de seu uso adequado. A particularidade ideológica tampouco parece ter incidência nessa questão do controle “social” sobre partidos e sindicatos, que aliás se distribuem de modo indiferente ao longo do espectro político.

5.4. Em favor das boas elites: mérito e competência em lugar de cooptação

O quarto problema seria o do “enriquecimento” cultural dos partidos e da própria classe política de modo geral. Devemos estar conscientes de que nenhuma norma legislativa ou administrativa será capaz de melhorar a qualidade dos homens públicos. Mas, a inadequação qualitativa da classe política às tarefas cada vez mais complexas da sociedade atual é talvez devida ao tipo de recrutamento político resultante de critérios insuficientes de seleção partidária e eleitoral. Uma sociedade moderna, complexa e diversificada, tem necessidade de uma verdadeira elite política, constantemente enriquecida pela osmose dos partidos com setores específicos da sociedade civil (como as empresas privadas e públicas, a burocracia governamental e o estamento acadêmico). O ideal seria assegurar uma possibilidade de ampla mobilidade transversal nas funções representativas a partir de um “material humano” coletado no vértice das profissões (científicas, econômicas, culturais, administrativas), o que poderia propiciar uma seleção rica e uma renovação constante do corpo político. O ideal mesmo, para sermos coerentes com esse modelo, seria poder dispor de uma classe política entendida como missão e não como establishment profissional como muitas vezes ocorre. Nesse particular, a esquerda brasileira talvez esteja mais próxima da modernização partidária, mas não toda a esquerda, pois existem ainda correntes que praticam o velho “centralismo democrático” ao estilo leninista.

6. Da moral na política: uma questão de consciência individual?

A outra ordem de questões, de natureza interna ou propriamente ética, refere-se às regras morais individuais, à correção e à responsabilidade pessoal, que revertem, em última análise, na questão da “consciência moral” dos políticos. É aqui que se situaria a “reforma moral” a que nos referimos acima, o redirecionamento cultural e moral dos políticos, como forma de reduzir a distância aberta entre a ética dos resultados e a ética dos valores. Existiria alguma inclinação “natural” da direita ou da esquerda por cada uma dessas vertentes?

A tensão entre essas duas esferas não pode evidentemente ser suprimida, mas poderia ser sensivelmente reduzida. Todos concordam em que a sociedade tem necessidade de políticos que demonstrem agressividade, competitividade e uma boa dose de ambição e de vaidade pessoais, mas ela carece também de outros valores, como os da solidariedade, da eqüidade e certamente o da justiça. A esquerda, por estar supostamente comprometida com esses valores, ente os quais se situam o altruísmo e o solidarismo, deveria ser mais sensível a esse aspecto do jogo político, mas nem sempre ela o demonstra (como ocorreu, por exemplo, nas discussões em torno da reforma da previdência, quando muitos de seus representantes ficaram comprometidos numa teia de interesses corporativos, negligenciando os interesses da sociedade como um todo).

Mais importante ainda, os antigos valores da moralidade individual não poderiam desaparecer com a subida ao poder das mais importantes lideranças de esquerda ou serem abandonados durante o processo de institucionalização de seu partido mais representativo. Assim, ser de esquerda, hoje em dia (e sempre), deveria compreender também certas obrigações e escolhas individuais de moralidade pública, que contrastam com a arrogância dos velhos “coronéis” da política, que já não precisam preocupar-se nem com a sua imagem (por manipularem meios de comunicação ou “currais eleitorais”), nem com o cinismo da sua política de negócios públicos para fins privados.

Se os princípios da moralidade individual não se encarnam nos homens, os princípios éticos da sociedade correm o risco de se esgotarem, perdendo a política aquela base de consenso autêntico — fundado sobre os princípios — sem a qual pode existir automatismo, mas não auto-determinação. Sem um reforma moral da política partidária no Brasil, a esquerda atualmente no poder estar seriamente destinada a encerrar, ao término de seu atual mandato, um ciclo auspicioso da vida política brasileira, que tão grandes esperanças criou em imensos setores da opinião pública. Em resumo, as promessas de moralidade política que seriam trazidas pela assunção da esquerda ao poder permanecem exatamente isso, por enquanto: promessas…